Referência: DIEGUES, Antonio Carlos. O mito moderno da natureza intocada. ed. 06, ampliada. São Paulo. Hucitec Npaud, 2008.
Segundo Diegues (2008), o surgimento do movimento para a criação de áreas naturais protegidas nos "Estados Unidos", segue com a quebra das concepções ideológicas na Europa do século XVIII, onde o espaço era valorizado apenas para a produção na agricultura, todavia, com a presença forte do romantismo no século seguinte a valorização do mundo natural passou a ser escrito e pensado como o paraíso perdido, o refugio, a beleza selvagem, a terra dos sonhos e tantas outras nomeações possíveis para descrever a natureza.
A fascinação humana para essas áreas cresceu ao mesmo tempo que ideias preservacionistas se tornava importante, sendo resultado do sentimento humano pelo imaginário e as possibilidades do desconhecido selvagem, a simbologia ganhava força, havia se estabelecido na falta de experiências do individuo urbano e da inocência com as aventuras fantasiosas. Para as perspectivas de Diegues (2008, p.26) a natureza intocada se tratava:
[...] na Europa, o lugar de descoberta da alma humana, do imaginário do paraíso perdido, da inocência infantil, do refugio e da intimidade, da beleza e do sublime. Nessa procura, as ilhas marítimas e oceânicas. [...] Não é por acaso que a ilha de Robinson Crusoe, descrita por Daniel Defoe, no século XVIII representa a síntese da simbologia do paraíso perdido após a expulsão do homem. Essas ideias, sobretudo a dos românticos do século XIX, tiveram, portanto, grande influência na criação de áreas naturais protegidas, consideradas como "ilhas" de grande beleza e valor estético que conduziam o ser humano à meditação das maravilhas da natureza intocada.
O surgimento do pensamento preservacionista na Europa do século XIX, através do romantismo contribui para o surgimento do primeiro modelo de Parque do mundo, situado nos Estados Unidos o Parque "Yellowstone" surgiu através da visão de conservação do "mundo natural", abrigando uma diversidade de animais selvagens como o Bisonte-americano, Alce, Raposa-vermelha, Urso-pardo, Veado, Puma e demais espécies pertencentes a fauna e flora, além de contar contar com elementos geológicos como gêiseres e fontes termais.
Em relação ao modelo proposto no Parque Yellowstone, podemos identificar que serviu de base para demais Parques que veio a surgir depois, todavia, o modelo proposto nos Estados Unidos havia a suas falhas, que colaborou para a discussão entre desenvolvimentistas versus os conservacionista. Essa discussão sintetizada por Gilfford Pichot e Jonh Muir, teve grande importância para evolução da conservação dentro e fora do continente americano.
Por fim, ao considerar as interações dos organismos como fauna, flora e ação humana presente em um espaço, a conservação que se iniciou nos Estados Unidos excluir a responsabilidade para demais áreas que não fossem Parques, e ignorou a primeiro momento a influencia humana como contribuído para a recuperação dos espaços de preservação, não percebendo que a conservação dos recursos naturais poderiam ocorrer através do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, o equilibro sendo fundamental para proteção ambiental na atualidade, por conseguinte, compreendemos que o ideal de natureza intocada que surgiu no século XIX nos Estados Unidos, foi de grande importância para o período da época, levou em escala global e influenciou o interesse da natureza selvagem além de um espaço para a produção e beneficio da população das cidades, considerando a natureza como digna de ser protegida.
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