quinta-feira, 14 de setembro de 2023

A Cidade e a Presença da Agricultura Urbana


 Referência:
QUEIROZ, Maria Isaura P. Cultura, sociedade rural, sociedade urbana no Brasil. Rio de Janeiro: Usp, 1978.

Fonte: Autor, 2023.

    Ao refletir sobre os espaços urbanos, para muitos indivíduos a ideia de praticar agricultura nas cidades é completamente oposta às atividades tradicionalmente desenvolvidas nesses locais. No entanto, é importante salientar que o crescimento das cidades ocorreu, em grande parte, devido à migração da população rural em busca de oportunidades nos espaços urbanos, resultando na ocupação de terras mistas, desocupadas e terrenos abandonados.

    O crescimento populacional impulsionou o desenvolvimento das cidades, provocando mudanças na paisagem e, ao mesmo tempo, diversificando-a, o que contribuiu para o surgimento de novas áreas periféricas e a expansão das já existentes. Esse fenômeno também viabilizou o estabelecimento de fazendas em meio às áreas urbanas e arredores, as quais, ao longo dos anos, foram gradualmente reduzidas devido ao avanço e evolução do perímetro urbano, impulsionados pela diversificação das atividades econômicas e pelo crescimento da população.

    A realidade dos empregos urbanos, com suas crescentes exigências em termos de formação e experiência, dificultou sua presença e competitividade no mercado de trabalho. Diante da necessidade básica de sustentar e cuidar de sua família, surgiu uma relação global e contínua entre as dinâmicas do trabalho iniciado no campo e a vida nas cidades, considerada como algo normal e culturalmente ligado à terra. Essa interconexão impulsionou o desenvolvimento da agricultura nas áreas urbanas, atendendo à demanda por produção de riqueza e organização social no ambiente urbano.

    A obra de Queiroz (1978) destaca a imperativa necessidade de abastecimento das cidades, reconhecendo-a como um fator primordial para a compreensão das complexas relações que se estabelecem no espaço urbano. As demandas dos setores de serviço emergem como um elemento constante nesse contexto. É crucial ressaltar que, sem um suprimento adequado, as cidades enfrentam limitações no seu crescimento, ficando confinadas dentro de seus próprios limites. Nessa dinâmica, a cidade assume um papel de consumidora ávida dos produtos advindos do campo.

    Essa relação entre cidade e campo é caracterizada por uma interdependência vital, em que a cidade, como consumidora dos produtos rurais, coloca o produto em destaque como um elemento de relevância chave. A origem desses produtos, embora importante em termos de produção e logística, assume uma posição secundária em relação ao impacto que exercem sobre o desenvolvimento urbano.

    Portanto, a visão de Queiroz (1978) enfatiza a centralidade do abastecimento para o crescimento e expansão das cidades, sublinhando a importância do fornecimento contínuo de bens do campo para a satisfação das demandas urbanas e a manutenção das dinâmicas sociais e econômicas no espaço urbano.

(...) a cidade como centro político-administrativo que organiza e domina o meio rural, porém por outro lado é inteiramente dominada e delimitada por este, já que dele depende estritamente no que toca o abastecimento; não podendo ultrapassar demograficamente os limites por este imposto, a cidade é essencialmente consumidora dos produtos do campo (...) (QUEIROZ, 1978, p. 47 a 48).

    A agricultura na área urbana sempre esteve intrinsecamente integrada ao sistema econômico das cidades, porém, somente nas décadas de 1990 foi mundialmente reconhecida e denominada pela ONU como 'agricultura urbana'. Essa prática consiste na produção agrícola dentro dos limites urbanos, o que resulta em uma série de benefícios significativos, incluindo a geração de empregos, o fornecimento de alimentos frescos e a comercialização local de produtos agrícolas. Além disso, a agricultura urbana desempenha um papel crucial na organização das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a resiliência das comunidades locais e a redução da pegada de carbono associada ao transporte de alimentos. Com o seu reconhecimento global, a agricultura urbana adquiriu uma relevância indiscutível como um componente fundamental para a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida nas cidades.

    Ao redor do globo terrestre, diversas nações têm implementado medidas voltadas à segurança alimentar, baseando-se no planejamento dos espaços urbanos como uma forma de promover o desenvolvimento humano. Esse movimento global culminou na criação de organizações de grande relevância, como a FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) e o RUAF (Centro de Recursos para Agricultura e Silvicultura Urbana), entre outras, todas com o propósito de assegurar o acesso à alimentação para a população e fomentar o desenvolvimento humano sustentável.

    Conforme enfatizado por Santos (2008), a compreensão do espaço demanda uma análise das relações sociais presentes, ou seja, a identificação dos agentes envolvidos, os processos em ação e a função desempenhada na construção do ambiente. Nesse contexto, a agricultura urbana surge como um rompimento com a concepção tradicional de que o trabalho agrícola está restrito apenas ao campo, pois ela transforma a produção de alimentos e confere uma dimensão social aos espaços urbanos, aproveitando a disponibilidade de terras e atendendo às necessidades da população. Essa abordagem integrada entre o rural e o urbano representa uma importante estratégia para promover a sustentabilidade, a segurança alimentar e a qualidade de vida nas cidades.

    Nesse sentido, ao incentivar e fomentar a prática da agricultura urbana voltada à produção de alimentos em espaços delimitados dentro do ambiente citadino, os resultados transcendem a mera melhoria nas condições de vida da população. O engajamento nessa atividade gera uma ampla gama de vantagens tangíveis e intangíveis. As redes interconectadas que se formam nesse contexto proporcionam não somente a melhoria das condições econômicas das comunidades locais, mas também desencadeiam um ciclo virtuoso de múltiplos benefícios.

    Primeiramente, a promoção da agricultura urbana cria oportunidades de emprego diretas e indiretas, contribuindo para a dinamização da economia local e para a inclusão socioeconômica de diversos grupos. Além disso, a produção local de alimentos frescos e saudáveis proporciona um acesso mais equitativo a uma dieta nutritiva, contribuindo para a segurança alimentar e para a promoção da saúde.

    A reciclagem de matéria orgânica, característica intrínseca da agricultura urbana, fortalece os ciclos sustentáveis da natureza ao transformar resíduos em recursos valiosos, como adubos orgânicos. Esse processo, por sua vez, enriquece o solo, melhorando sua qualidade e fertilidade ao longo do tempo, o que é essencial para a manutenção da produtividade agrícola e a resiliência ambiental das áreas urbanas.

    Adicionalmente, a prática da agricultura urbana tem um impacto visual e ambiental positivo, uma vez que os espaços utilizados para cultivo se convertem em áreas verdes produtivas, oferecendo benefícios estéticos, de lazer e de resfriamento urbano. Essas áreas também podem abrigar habitats para a fauna local, contribuindo para a biodiversidade em meio ao ambiente urbano.

    Portanto, a promoção da agricultura urbana vai além de um simples enriquecimento da oferta de alimentos locais. Ela estabelece uma teia complexa de interdependências que fortalecem os laços sociais, a economia, a saúde e o ambiente nas cidades, ressaltando seu papel fundamental na construção de comunidades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis.

    A agricultura na área urbana sempre esteve intrinsecamente integrada ao sistema econômico das cidades, porém, somente nas décadas de 1990 foi mundialmente reconhecida e denominada pela ONU como 'agricultura urbana'. Essa prática consiste na produção agrícola dentro dos limites urbanos, o que resulta em uma série de benefícios significativos, incluindo a geração de empregos, o fornecimento de alimentos frescos e a comercialização local de produtos agrícolas. Além disso, a agricultura urbana desempenha um papel crucial na organização das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a resiliência das comunidades locais e a redução da pegada de carbono associada ao transporte de alimentos. Com o seu reconhecimento global, a agricultura urbana adquiriu uma relevância indiscutível como um componente fundamental para a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida nas cidades.

    Ao redor do globo terrestre, diversas nações têm implementado medidas voltadas à segurança alimentar, baseando-se no planejamento dos espaços urbanos como uma forma de promover o desenvolvimento humano. Esse movimento global culminou na criação de organizações de grande relevância, como a FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) e o RUAF (Centro de Recursos para Agricultura e Silvicultura Urbana), entre outras, todas com o propósito de assegurar o acesso à alimentação para a população e fomentar o desenvolvimento humano sustentável.

    Conforme enfatizado por Santos (2008), a compreensão do espaço demanda uma análise das relações sociais presentes, ou seja, a identificação dos agentes envolvidos, os processos em ação e a função desempenhada na construção do ambiente. Nesse contexto, a agricultura urbana surge como um rompimento com a concepção tradicional de que o trabalho agrícola está restrito apenas ao campo, pois ela transforma a produção de alimentos e confere uma dimensão social aos espaços urbanos, aproveitando a disponibilidade de terras e atendendo às necessidades da população. Essa abordagem integrada entre o rural e o urbano representa uma importante estratégia para promover a sustentabilidade, a segurança alimentar e a qualidade de vida nas cidades.

    Nesse sentido, ao incentivar e fomentar a prática da agricultura urbana voltada à produção de alimentos em espaços delimitados dentro do ambiente citadino, os resultados transcendem a mera melhoria nas condições de vida da população. O engajamento nessa atividade gera uma ampla gama de vantagens tangíveis e intangíveis. As redes interconectadas que se formam nesse contexto proporcionam não somente a melhoria das condições econômicas das comunidades locais, mas também desencadeiam um ciclo virtuoso de múltiplos benefícios.

    Primeiramente, a promoção da agricultura urbana cria oportunidades de emprego diretas e indiretas, contribuindo para a dinamização da economia local e para a inclusão socioeconômica de diversos grupos. Além disso, a produção local de alimentos frescos e saudáveis proporciona um acesso mais equitativo a uma dieta nutritiva, contribuindo para a segurança alimentar e para a promoção da saúde.

    A reciclagem de matéria orgânica, característica intrínseca da agricultura urbana, fortalece os ciclos sustentáveis da natureza ao transformar resíduos em recursos valiosos, como adubos orgânicos. Esse processo, por sua vez, enriquece o solo, melhorando sua qualidade e fertilidade ao longo do tempo, o que é essencial para a manutenção da produtividade agrícola e a resiliência ambiental das áreas urbanas.

    Adicionalmente, a prática da agricultura urbana tem um impacto visual e ambiental positivo, uma vez que os espaços utilizados para cultivo se convertem em áreas verdes produtivas, oferecendo benefícios estéticos, de lazer e de resfriamento urbano. Essas áreas também podem abrigar habitats para a fauna local, contribuindo para a biodiversidade em meio ao ambiente urbano.

    Portanto, a promoção da agricultura urbana vai além de um simples enriquecimento da oferta de alimentos locais. Ela estabelece uma teia complexa de interdependências que fortalecem os laços sociais, a economia, a saúde e o ambiente nas cidades, ressaltando seu papel fundamental na construção de comunidades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis.

    Nesse contexto, a agricultura urbana tem emergido como um componente crucial no planejamento das cidades ao longo das últimas duas décadas. No entanto, é notório que as ações de transformação e integração da agricultura à vida urbana ganharam tração somente a partir da segunda metade do século XX, o que evidencia um notável atraso na inserção dessa atividade como um elemento fundamental da estrutura territorial urbana.

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