Referência: QUEIROZ, Maria Isaura P. Cultura, sociedade rural, sociedade urbana no Brasil. Rio de Janeiro: Usp, 1978.
Ao refletir sobre os espaços urbanos, para muitos
indivíduos a ideia de praticar agricultura nas cidades é completamente oposta
às atividades tradicionalmente desenvolvidas nesses locais. No entanto, é
importante salientar que o crescimento das cidades ocorreu, em grande parte,
devido à migração da população rural em busca de oportunidades nos espaços
urbanos, resultando na ocupação de terras mistas, desocupadas e terrenos
abandonados.
O crescimento populacional impulsionou o desenvolvimento
das cidades, provocando mudanças na paisagem e, ao mesmo tempo,
diversificando-a, o que contribuiu para o surgimento de novas áreas periféricas
e a expansão das já existentes. Esse fenômeno também viabilizou o
estabelecimento de fazendas em meio às áreas urbanas e arredores, as quais, ao
longo dos anos, foram gradualmente reduzidas devido ao avanço e evolução do
perímetro urbano, impulsionados pela diversificação das atividades econômicas e
pelo crescimento da população.
A realidade dos empregos urbanos, com suas crescentes
exigências em termos de formação e experiência, dificultou sua presença e
competitividade no mercado de trabalho. Diante da necessidade básica de
sustentar e cuidar de sua família, surgiu uma relação global e contínua entre
as dinâmicas do trabalho iniciado no campo e a vida nas cidades, considerada
como algo normal e culturalmente ligado à terra. Essa interconexão impulsionou
o desenvolvimento da agricultura nas áreas urbanas, atendendo à demanda por produção
de riqueza e organização social no ambiente urbano.
A obra de Queiroz (1978) destaca a imperativa necessidade
de abastecimento das cidades, reconhecendo-a como um fator primordial para a
compreensão das complexas relações que se estabelecem no espaço urbano. As
demandas dos setores de serviço emergem como um elemento constante nesse
contexto. É crucial ressaltar que, sem um suprimento adequado, as cidades
enfrentam limitações no seu crescimento, ficando confinadas dentro de seus
próprios limites. Nessa dinâmica, a cidade assume um papel de consumidora ávida
dos produtos advindos do campo.
Essa relação entre cidade e campo é caracterizada por uma
interdependência vital, em que a cidade, como consumidora dos produtos rurais,
coloca o produto em destaque como um elemento de relevância chave. A origem
desses produtos, embora importante em termos de produção e logística, assume
uma posição secundária em relação ao impacto que exercem sobre o
desenvolvimento urbano.
Portanto, a visão de Queiroz (1978) enfatiza a centralidade
do abastecimento para o crescimento e expansão das cidades, sublinhando a
importância do fornecimento contínuo de bens do campo para a satisfação das
demandas urbanas e a manutenção das dinâmicas sociais e econômicas no espaço
urbano.
(...) a cidade como centro político-administrativo que organiza e domina o meio rural, porém por outro lado é inteiramente dominada e delimitada por este, já que dele depende estritamente no que toca o abastecimento; não podendo ultrapassar demograficamente os limites por este imposto, a cidade é essencialmente consumidora dos produtos do campo (...) (QUEIROZ, 1978, p. 47 a 48).
A agricultura na área urbana sempre esteve intrinsecamente
integrada ao sistema econômico das cidades, porém, somente nas décadas de 1990
foi mundialmente reconhecida e denominada pela ONU como 'agricultura urbana'.
Essa prática consiste na produção agrícola dentro dos limites urbanos, o que
resulta em uma série de benefícios significativos, incluindo a geração de
empregos, o fornecimento de alimentos frescos e a comercialização local de
produtos agrícolas. Além disso, a agricultura urbana desempenha um papel
crucial na organização das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade
ambiental, a resiliência das comunidades locais e a redução da pegada de
carbono associada ao transporte de alimentos. Com o seu reconhecimento global,
a agricultura urbana adquiriu uma relevância indiscutível como um componente
fundamental para a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e a
qualidade de vida nas cidades.
Ao redor do globo terrestre, diversas nações têm
implementado medidas voltadas à segurança alimentar, baseando-se no
planejamento dos espaços urbanos como uma forma de promover o desenvolvimento
humano. Esse movimento global culminou na criação de organizações de grande
relevância, como a FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das Nações
Unidas) e o RUAF (Centro de Recursos para Agricultura e Silvicultura Urbana),
entre outras, todas com o propósito de assegurar o acesso à alimentação para a
população e fomentar o desenvolvimento humano sustentável.
Conforme enfatizado por Santos (2008), a compreensão do
espaço demanda uma análise das relações sociais presentes, ou seja, a
identificação dos agentes envolvidos, os processos em ação e a função
desempenhada na construção do ambiente. Nesse contexto, a agricultura urbana
surge como um rompimento com a concepção tradicional de que o trabalho agrícola
está restrito apenas ao campo, pois ela transforma a produção de alimentos e
confere uma dimensão social aos espaços urbanos, aproveitando a disponibilidade
de terras e atendendo às necessidades da população. Essa abordagem integrada
entre o rural e o urbano representa uma importante estratégia para promover a
sustentabilidade, a segurança alimentar e a qualidade de vida nas cidades.
Nesse sentido, ao incentivar e fomentar a prática da
agricultura urbana voltada à produção de alimentos em espaços delimitados
dentro do ambiente citadino, os resultados transcendem a mera melhoria nas
condições de vida da população. O engajamento nessa atividade gera uma ampla
gama de vantagens tangíveis e intangíveis. As redes interconectadas que se
formam nesse contexto proporcionam não somente a melhoria das condições
econômicas das comunidades locais, mas também desencadeiam um ciclo virtuoso de
múltiplos benefícios.
Primeiramente, a promoção da agricultura urbana cria
oportunidades de emprego diretas e indiretas, contribuindo para a dinamização
da economia local e para a inclusão socioeconômica de diversos grupos. Além
disso, a produção local de alimentos frescos e saudáveis proporciona um acesso
mais equitativo a uma dieta nutritiva, contribuindo para a segurança alimentar
e para a promoção da saúde.
A reciclagem de matéria orgânica, característica intrínseca
da agricultura urbana, fortalece os ciclos sustentáveis da natureza ao
transformar resíduos em recursos valiosos, como adubos orgânicos. Esse
processo, por sua vez, enriquece o solo, melhorando sua qualidade e fertilidade
ao longo do tempo, o que é essencial para a manutenção da produtividade
agrícola e a resiliência ambiental das áreas urbanas.
Adicionalmente, a prática da agricultura urbana tem um
impacto visual e ambiental positivo, uma vez que os espaços utilizados para
cultivo se convertem em áreas verdes produtivas, oferecendo benefícios
estéticos, de lazer e de resfriamento urbano. Essas áreas também podem abrigar
habitats para a fauna local, contribuindo para a biodiversidade em meio ao
ambiente urbano.
Portanto, a promoção da agricultura urbana vai além de um
simples enriquecimento da oferta de alimentos locais. Ela estabelece uma teia
complexa de interdependências que fortalecem os laços sociais, a economia, a
saúde e o ambiente nas cidades, ressaltando seu papel fundamental na construção
de comunidades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis.
A agricultura na área urbana sempre esteve intrinsecamente
integrada ao sistema econômico das cidades, porém, somente nas décadas de 1990
foi mundialmente reconhecida e denominada pela ONU como 'agricultura urbana'.
Essa prática consiste na produção agrícola dentro dos limites urbanos, o que
resulta em uma série de benefícios significativos, incluindo a geração de
empregos, o fornecimento de alimentos frescos e a comercialização local de
produtos agrícolas. Além disso, a agricultura urbana desempenha um papel
crucial na organização das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade
ambiental, a resiliência das comunidades locais e a redução da pegada de
carbono associada ao transporte de alimentos. Com o seu reconhecimento global,
a agricultura urbana adquiriu uma relevância indiscutível como um componente
fundamental para a segurança alimentar, o desenvolvimento econômico e a
qualidade de vida nas cidades.
Ao redor do globo terrestre, diversas nações têm
implementado medidas voltadas à segurança alimentar, baseando-se no
planejamento dos espaços urbanos como uma forma de promover o desenvolvimento
humano. Esse movimento global culminou na criação de organizações de grande
relevância, como a FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das Nações
Unidas) e o RUAF (Centro de Recursos para Agricultura e Silvicultura Urbana),
entre outras, todas com o propósito de assegurar o acesso à alimentação para a
população e fomentar o desenvolvimento humano sustentável.
Conforme enfatizado por Santos (2008), a compreensão do
espaço demanda uma análise das relações sociais presentes, ou seja, a
identificação dos agentes envolvidos, os processos em ação e a função
desempenhada na construção do ambiente. Nesse contexto, a agricultura urbana
surge como um rompimento com a concepção tradicional de que o trabalho agrícola
está restrito apenas ao campo, pois ela transforma a produção de alimentos e
confere uma dimensão social aos espaços urbanos, aproveitando a disponibilidade
de terras e atendendo às necessidades da população. Essa abordagem integrada
entre o rural e o urbano representa uma importante estratégia para promover a
sustentabilidade, a segurança alimentar e a qualidade de vida nas cidades.
Nesse sentido, ao incentivar e fomentar a prática da
agricultura urbana voltada à produção de alimentos em espaços delimitados
dentro do ambiente citadino, os resultados transcendem a mera melhoria nas
condições de vida da população. O engajamento nessa atividade gera uma ampla
gama de vantagens tangíveis e intangíveis. As redes interconectadas que se
formam nesse contexto proporcionam não somente a melhoria das condições
econômicas das comunidades locais, mas também desencadeiam um ciclo virtuoso de
múltiplos benefícios.
Primeiramente, a promoção da agricultura urbana cria
oportunidades de emprego diretas e indiretas, contribuindo para a dinamização
da economia local e para a inclusão socioeconômica de diversos grupos. Além
disso, a produção local de alimentos frescos e saudáveis proporciona um acesso
mais equitativo a uma dieta nutritiva, contribuindo para a segurança alimentar
e para a promoção da saúde.
A reciclagem de matéria orgânica, característica intrínseca
da agricultura urbana, fortalece os ciclos sustentáveis da natureza ao
transformar resíduos em recursos valiosos, como adubos orgânicos. Esse
processo, por sua vez, enriquece o solo, melhorando sua qualidade e fertilidade
ao longo do tempo, o que é essencial para a manutenção da produtividade
agrícola e a resiliência ambiental das áreas urbanas.
Adicionalmente, a prática da agricultura urbana tem um
impacto visual e ambiental positivo, uma vez que os espaços utilizados para
cultivo se convertem em áreas verdes produtivas, oferecendo benefícios
estéticos, de lazer e de resfriamento urbano. Essas áreas também podem abrigar
habitats para a fauna local, contribuindo para a biodiversidade em meio ao
ambiente urbano.
Portanto, a promoção da agricultura urbana vai além de um
simples enriquecimento da oferta de alimentos locais. Ela estabelece uma teia
complexa de interdependências que fortalecem os laços sociais, a economia, a
saúde e o ambiente nas cidades, ressaltando seu papel fundamental na construção
de comunidades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis.
Nesse contexto, a agricultura urbana tem emergido como um
componente crucial no planejamento das cidades ao longo das últimas duas
décadas. No entanto, é notório que as ações de transformação e integração da
agricultura à vida urbana ganharam tração somente a partir da segunda metade do
século XX, o que evidencia um notável atraso na inserção dessa atividade como
um elemento fundamental da estrutura territorial urbana.
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